Com Booking.com a 18%, hotéis revisam o peso das OTAs na distribuição
Decolar vai na direção oposta e reduz comissões em destinos selecionados, enquanto o setor discute o custo de cada reserva.

- Segundo o Hotelier News, a Booking.com elevou de 16% para 18% a comissão do Programa Preferencial, e o reajuste foi questionado por entidades do setor no CADE.
- A Decolar optou por reduzir comissões em hotéis e pousadas de destinos selecionados e criou comissão zero por seis meses para novos parceiros.
- Dados do Hotel Report mostram as OTAs com entre 67,7% e 71,1% das reservas hoteleiras em Rio, São Paulo e Recife.
A Booking.com elevou de 16% para 18% a comissão cobrada dos hotéis do Programa Preferencial, de acordo com o Hotelier News. Entidades do setor questionaram o reajuste junto ao CADE, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O caso reabriu no Brasil a discussão sobre quanto a hotelaria depende das agências de viagens online (OTAs) e quanto isso custa.
A Decolar tomou outro caminho. Marcelo Grether, chefe de Partners e Estratégia de Crescimento do Grupo Decolar, disse ao Hotelier News que a empresa reduziu comissões em hotéis e pousadas de destinos turísticos selecionados. A nova política também prevê comissão zero, em todo o Brasil, nos seis primeiros meses de operação de novos parceiros. Segundo ele, as taxas variam conforme a categoria do empreendimento.
O peso das plataformas segue alto. Dados do Hotel Report, estudo da Omnibees com o Hotelier News, indicam que as OTAs respondem por 67,7% das reservas no Rio de Janeiro, 71,1% em São Paulo e 69,3% em Recife.
O que dizem os executivos
Felipe Gama, CEO da Results Hotelaria, afirma que o reajuste aumenta a urgência de medir a qualidade da receita de cada canal. Isso inclui o canal de origem, o custo de aquisição e a diária líquida, e não só o faturamento bruto. Para ele, é precipitado projetar que outras OTAs farão o mesmo. Gama também diz que as plataformas continuam relevantes e que abandoná-las seria um erro. O alvo, segundo ele, é um mix que combine intermediários, venda direta, contas corporativas e central de reservas.
Angela Figueiredo, diretora de Vendas e Marketing do Wyndham São Paulo Ibirapuera Convention Plaza, aponta uma diferença entre redes e independentes. Hotéis de marca global contam com acordos globais, canais próprios e programa de fidelidade. Já os independentes, segundo ela, têm menor poder de negociação e menos recursos de marketing e tecnologia, o que torna qualquer aumento de comissão mais pesado para a rentabilidade.
O material trata de hotelaria, mas a pergunta central vale para quem opera imóvel de temporada e depende de plataformas de reserva: quanto sobra de cada reserva depois da comissão? Para quem opera nesse modelo, vale comparar os canais pela receita líquida e não pelo volume de reservas, e avaliar quanto da ocupação depende de um único intermediário.
- Hotelier News — notícia original
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