Greystar compra a Uliving e a Patria deixa o controle da operadora de moradia estudantil
Os imóveis seguem com a Patria; a gestora americana ganha escala e mira 10 mil unidades no Brasil em até quatro anos

- A Greystar comprou a Uliving, plataforma de moradia estudantil, e a Patria Investimentos deixa o controle da empresa, mas segue dona dos imóveis por meio de um fundo.
- Com a operação, a Greystar Brasil passa a ter 5,8 mil unidades de multifamily e prevê chegar a 7 mil em dois anos e a 10 mil em até quatro.
A Greystar, gestora americana de imóveis residenciais para locação, comprou a Uliving, plataforma brasileira de moradia estudantil, em movimento que tira a Patria Investimentos do controle da operadora, como revelou o Hotelier News. A Patria, porém, mantém exposição ao negócio como proprietária dos imóveis.
A Greystar administra 122 mil apartamentos de locação no mundo, mas tinha presença limitada na moradia estudantil brasileira. Com a compra, passa a reunir 5,8 mil unidades de multifamily no país, entre empreendimentos em operação e em desenvolvimento. O termo designa imóveis residenciais voltados à locação, incluindo a moradia estudantil.
Da compra da Share à venda da Uliving
O primeiro passo entre as empresas foi dado em fevereiro, quando a Patria adquiriu a Share, que até aquele momento era a única rival institucional da Uliving. Desde 2024, cinco edifícios da Share já eram administrados pela Greystar e continuam sob sua gestão. Os demais empreendimentos do portfólio eram operados pela Uliving.
A Patria já estudava juntar sob uma só marca os 4,1 mil leitos das duas operações, espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Santos e pela região metropolitana de Porto Alegre. Concluiu que vender a Uliving à Greystar seria o melhor caminho para consolidar a operação sem abrir mão da exposição ao negócio.
Os imóveis não mudam de mãos: seguem pertencendo à Patria, que os mantém num fundo cuja administração é compartilhada com a Grosvenor Estate. Ken Wainer, sócio da Patria responsável pela área imobiliária da divisão de Global Private Market Solutions, afirmou que a gestão do segmento é muito especializada e intensiva, e que a escala foi decisiva para a escolha.
Escala como argumento
Vitor Costa, diretor geral da Greystar no Brasil, disse que a empresa não ganha dinheiro investindo em imóveis, mas prestando serviços ao longo da cadeia, da gestão ao desenvolvimento e à operação. Em alguns mercados, a Greystar detém participações minoritárias, equivalentes a 5% a 10% dos ativos em determinados casos.
Para Costa, o ganho imediato de escala pesa na eficiência operacional e na capacidade de atrair investidores institucionais de longo prazo. Ele afirmou que o porte ajuda o investidor a negociar melhor contratos com residentes e fornecedores e dá ao operador mais fôlego para investir em equipes e tecnologia.
A meta da Greystar é alcançar 7 mil unidades administradas em dois anos e 10 mil em até quatro. A Patria também quer ampliar sua atuação, com foco em empreendimentos mais econômicos. Wainer afirmou que o potencial do mercado ultrapassa facilmente 100 mil camas e que Curitiba, Belo Horizonte e o interior paulista estão na mira, mas que antes é preciso concluir a integração com a Greystar.
O cronograma prevê unificar as marcas nos próximos três meses, consolidar processos em seis e integrar os sistemas em até oito.
O caso trata de moradia estudantil, segmento distinto da locação por temporada. Para quem opera imóveis de aluguel de curta duração, vale acompanhar a integração entre Greystar e Patria nos próximos meses como referência de gestão profissional de imóveis para locação.
- Hotelier News — notícia original
- Imagem: Ederporto / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0
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